balançámo-nos. ontem, na música de um caminho que se comemora, o teu. revisitámos o lugar que não sabíamos, fomo-nos passeando, então, na descoberta de nós contigo, no maior que somos já, no descanso de que à frente a vida se erguerá de duas mãos de contornos, sendo uma, garantidamente, imutavelmente, nossa. é certo, é bom, "faz parte"! :)
sei que ontem, no aconchego da tua sala, fomos, por dentro, só feitos de emoção. correu-nos o sangue o outro lado da estória, os dias de cada um antes de os dias de todos em ti. vi-me ainda pequenina, nas palavras já tanto repetidas, isolada na sala da casa que tínhamos, de ouvido colado ao que a tua voz me contava. e vi-me nas cartas escritas, que se completavam num desejo diferente que o de uma resposta propriamente dita, por que sabia não a esperar. mas um dia também chegou, vinha do sul, de uma paisagem de sol e também de mar, e eu recebi-a como um abanão visceral que me vinha encostar ao mundo onde os sonhos são. depois, fomos sendo nós aos poucos, no inaudito dos percursos, no tesouro jamais elidível que mantemos para dentro da pele do coração. e ainda surges, naquele outro chão, clivada do tempo, para entrares em nós com a integridade do que se vive pela primeira vez...
temos sido do melhor de mim...
por que não acreditas quando te digo que és, desmedidamente, a Maior?!
Saturday, November 17, 2007
Thursday, November 15, 2007
Saturday, November 03, 2007
Tuesday, October 16, 2007
Hoje, na tal loja, estava uma filha com a mãe. Só a filha experimentava. As peças de roupa iam surgindo e a mãe ia dizendo que lhe ficavam muito bem. Todas ficavam bem... Ou não fosse ela mãe.
Lembrei-me dos dias em que lá vou com as minhas filhas. Também eu me sento, e aguardo pacientemente que elas vejam o que querem. Sento-me no chão (no degrau, mais propriamente) e olho para elas de baixo para cima, como que a vê-las crescer... e também vou dizendo que tudo lhes fica bem...
Já lá tenho levado a minha mãe. Essa, prepara uma cadeira, e enquanto nós vamos vendo o que queremos, vai falando com meio mundo... Já se deixou de dizer que fica bem. Prefere perder-se noutros assuntos. No final, todas estamos contentes, nós por termos feito o que tanto apreciamos, a minha mãe mais pela conversa, que é na verdade, ainda o que mais lhe agrada.
Enquanto isso, esquecemos os nossos mundos, o trabalho, as contrariedades... estamos tão à vontade, que é impossível não gostarmos de lá ir.
Lembrei-me dos dias em que lá vou com as minhas filhas. Também eu me sento, e aguardo pacientemente que elas vejam o que querem. Sento-me no chão (no degrau, mais propriamente) e olho para elas de baixo para cima, como que a vê-las crescer... e também vou dizendo que tudo lhes fica bem...
Já lá tenho levado a minha mãe. Essa, prepara uma cadeira, e enquanto nós vamos vendo o que queremos, vai falando com meio mundo... Já se deixou de dizer que fica bem. Prefere perder-se noutros assuntos. No final, todas estamos contentes, nós por termos feito o que tanto apreciamos, a minha mãe mais pela conversa, que é na verdade, ainda o que mais lhe agrada.
Enquanto isso, esquecemos os nossos mundos, o trabalho, as contrariedades... estamos tão à vontade, que é impossível não gostarmos de lá ir.
Sunday, September 30, 2007
Pedopsiquiatria
não me tinha imaginado com crianças, aparte o período em que acreditei na Pediatria. também não me tinha previsto numa especialidade de coração tão cheio, onde cabem a Música, a Pintura, os jogos (de mesa ou os mais físicos!), o origami, os teatros, as caixas que se compram para colocar brinquedos, o chão, a escrita, a Filosofia, o Direito, a Poesia... é a Medicina que se faz de estórias.
nesta Medicina, também os diagnósticos nos surgem diferentes, muito para lá de uma articulação matemática de sintomas e sinais. aqui, conta o que sentimos, o espaço de dentro em que o outro se aloja em nós. e eu tinha dificuldade numa das sensações. tinha dificuldade em estranhar o estranho. no entanto, já há cerca de um mês (numa precisão que teria se conseguisse deixar-me aqui no tempo das coisas), pela primeira vez, vivi o tal olhar que perpassa, que nos invade de angústia e inquietação. e tive, juro, medo. um medo emanado de alguém com metade do meu tamanho, um terço da minha idade. mas um medo que foi um passo e, por isso, me soube bem!
nesta Medicina, também os diagnósticos nos surgem diferentes, muito para lá de uma articulação matemática de sintomas e sinais. aqui, conta o que sentimos, o espaço de dentro em que o outro se aloja em nós. e eu tinha dificuldade numa das sensações. tinha dificuldade em estranhar o estranho. no entanto, já há cerca de um mês (numa precisão que teria se conseguisse deixar-me aqui no tempo das coisas), pela primeira vez, vivi o tal olhar que perpassa, que nos invade de angústia e inquietação. e tive, juro, medo. um medo emanado de alguém com metade do meu tamanho, um terço da minha idade. mas um medo que foi um passo e, por isso, me soube bem!
Sunday, September 23, 2007
Tuesday, September 18, 2007
Mas o que é isto?
Chego da escola. Cheia de rapazes e de raparigas, de gargalhadas e gritos, conversas sôfregas, gestos abundantes e olhares expressivos.
Entro em casa, calmamente, já distante do burburinho costumado... com vontade de saber as últimas notícias do mundo. RTP1 - Início do Telejornal... Liga dos Campeões.
Apesar de gostar mais deste canal, passei para a SIC - Liga dos Campeões. Que enjoo!...
Mudo para a TVI - Liga dos Campeões... Não posso acreditar!
Desisto! O melhor é ir já aquecer a sopa.
...
Dezasseis longos minutos depois, depois de muita conversa futebolística, que incluiu um recuar aos anos sessenta com um jogo com não sei quê de especial, na RTP1, a notícia foi outra. Mas o que é isto?
Entro em casa, calmamente, já distante do burburinho costumado... com vontade de saber as últimas notícias do mundo. RTP1 - Início do Telejornal... Liga dos Campeões.
Apesar de gostar mais deste canal, passei para a SIC - Liga dos Campeões. Que enjoo!...
Mudo para a TVI - Liga dos Campeões... Não posso acreditar!
Desisto! O melhor é ir já aquecer a sopa.
...
Dezasseis longos minutos depois, depois de muita conversa futebolística, que incluiu um recuar aos anos sessenta com um jogo com não sei quê de especial, na RTP1, a notícia foi outra. Mas o que é isto?
Saturday, September 01, 2007
Wednesday, August 29, 2007
João
Tenho tido o Larão comigo nestes últimos tempos. Os pais andam lá para terras do sol nascente e ele, segundo me parece, está como se estivesse na sua própria casa. A mim ajuda-me a ir ao supermercado, ao ecoponto, vai-me apontando as novidades quando eu estou mais ocupada, sempre ligadas ao desporto, bem entendido, porque lá nisso ele é craque. Com o tio comenta atletismo e futebol e grita(m) e bate(m) palmas.
No entanto, há algo que o preocupa, o eu ter muitos mails para ler, insistindo para que eu o faça o mais rapidamente possível antes que a caixa fique cheia. Já lhe expliquei que férias são férias e também as fiz de mails. Depressa chegará a escola e com ela todo aquele trabalho ligado à leitura e à escrita.
Ora, num serão em que eu lhe mostrava alguns mails interessantes e didácticos, demos com um que a Margarida me enviou há já algum tempo, que mostra um possível Portugal, no ano 2100, meio alagado, com as cidades junto ao mar já submersas, Coimbra à beira da água e a praia aqui tão perto. São hipóteses que se colocam depois de analisar a velocidade a que os pólos derretem pelas terríveis consequências do aquecimento global.
Disse ao João que o mapa até assusta e acrescentei que me preocupava, uma vez que a Filipa e a Margarida tinham as suas casas em Lisboa. Querido como só ele sabe ser, disse tão prontamente quanto pôde:
--Deixa lá, Titata, nessa altura já elas estarão cá em Estremoz num lar de idosos!
(E eu descansei! Obrigada, Larão!)
No entanto, há algo que o preocupa, o eu ter muitos mails para ler, insistindo para que eu o faça o mais rapidamente possível antes que a caixa fique cheia. Já lhe expliquei que férias são férias e também as fiz de mails. Depressa chegará a escola e com ela todo aquele trabalho ligado à leitura e à escrita.
Ora, num serão em que eu lhe mostrava alguns mails interessantes e didácticos, demos com um que a Margarida me enviou há já algum tempo, que mostra um possível Portugal, no ano 2100, meio alagado, com as cidades junto ao mar já submersas, Coimbra à beira da água e a praia aqui tão perto. São hipóteses que se colocam depois de analisar a velocidade a que os pólos derretem pelas terríveis consequências do aquecimento global.
Disse ao João que o mapa até assusta e acrescentei que me preocupava, uma vez que a Filipa e a Margarida tinham as suas casas em Lisboa. Querido como só ele sabe ser, disse tão prontamente quanto pôde:
--Deixa lá, Titata, nessa altura já elas estarão cá em Estremoz num lar de idosos!
(E eu descansei! Obrigada, Larão!)
Sunday, August 26, 2007
Saturday, August 25, 2007
http://www.laboratoriodedesenhos.com.br/aquarela.htm
já não o revia há muito! ainda delicioso em mim!
já não o revia há muito! ainda delicioso em mim!
A estes meus amigos...

lembro-me da primeira vez que ouvi essas palavras de música, ainda antes de mais retocadas, num banco de trás de um carro a sul. mostrava-no-las, ela, timidamente, encaixando um receio misto de encantar ou nem por isso! mas, claro que sim! foram sendo lume dos dias nos anos que, entretanto, correram. e a parte boa é exactamente essa: o lume poder aquecer tantos chãos, tantos mundos, tantos amigos. e a nós!
muito obrigada. há, por aqui, quem se não cale pelo momento da Bimby, "porque foi o máximo"!!! e foi!:)
Tuesday, July 17, 2007
De volta a casa!
Fui buscar-te. Estavas sentado, já sem os pijamas do costume, com tudo arrumado, à minha espera.
Não tinhas documentos, nem chaves, nem carro. Já tinhas os óculos, a carteira, o telemóvel, as coisas que anteriormente te tinham pedido para colocares no saco para me ser entregue antes de entrares no bloco operatório. Nessa altura, sentiste-te um indigente, disseste. Mas disseste-o já tinhas sido operado... cá para mim era receio à mistura! Estás habituado à doença, mas desta vez eras tu! Devo dizer-te que eles até foram cuidadosos, colocaram os sapatos num saco e o resto num outro!
Regressaste a casa.
Nesse dia, pareceu-me que estavas um pouco febril, e... fingindo-me enfermeira, fui buscar o termómetro. No caminho, encontrei vernizes que não via há algum tempo e resolvi mudar o que tinha colocado. Demorei! Estas coisas demoram sempre!
Quando voltei para junto de ti, é que me lembrei novamente do teu estado de convalescente. E rimo-nos quando me disseste que, assim, e por ter abandonado o doente na primeira tarefa, seria expulsa do serviço.
Vá lá, não tinhas febre!
Não tinhas documentos, nem chaves, nem carro. Já tinhas os óculos, a carteira, o telemóvel, as coisas que anteriormente te tinham pedido para colocares no saco para me ser entregue antes de entrares no bloco operatório. Nessa altura, sentiste-te um indigente, disseste. Mas disseste-o já tinhas sido operado... cá para mim era receio à mistura! Estás habituado à doença, mas desta vez eras tu! Devo dizer-te que eles até foram cuidadosos, colocaram os sapatos num saco e o resto num outro!
Regressaste a casa.
Nesse dia, pareceu-me que estavas um pouco febril, e... fingindo-me enfermeira, fui buscar o termómetro. No caminho, encontrei vernizes que não via há algum tempo e resolvi mudar o que tinha colocado. Demorei! Estas coisas demoram sempre!
Quando voltei para junto de ti, é que me lembrei novamente do teu estado de convalescente. E rimo-nos quando me disseste que, assim, e por ter abandonado o doente na primeira tarefa, seria expulsa do serviço.
Vá lá, não tinhas febre!
Friday, July 13, 2007
"Pai"
Agora já sabes o que é um hospital!
Agora já sabes o que custa estar lá... os dias irremediavelmente iguais, com os mesmos ruídos, os mesmos horários... as mesmas coisas.
Tu não te queixas, até brincas com o assunto... achas que vais emagrecer, com o soro e a dieta líquida, pensas mesmo que será o que vais aconselhar aos teus doentes que desejem fazer uma dietazita...
Sorriste quando o enfremeiro da triagem das prioridades disse que tinha prazer em te conhecer, porque só te conhecia de nome há muito tempo...
Agora já conheces a Sónia Araújo (não me lembro de ti a ver televisão de manhã), já sabes quem é a miúda que faz de Floribela... já sabes tantas outras coisas que o trabalho não te deixava aprender.
Já sabes quão difícil é estar no hospital, quão difícil é o trabalho de enfermeiros e auxiliares (esse eu sei que tu sabias e que valorizas), que querem que o teu vizinho de enfermaria coma e ele berra e diz asneiras, e que incansavelmente listam uma série de coisas para substituir a refeição que ele teima em não aceitar, já sabes quão agradável é receber visitas...
... porque vi que àquela hora, três em ponto, tu não tiravas os olhos da porta, porque era a única coisa de que estavas à espera!
Agora já sabes o que custa estar lá... os dias irremediavelmente iguais, com os mesmos ruídos, os mesmos horários... as mesmas coisas.
Tu não te queixas, até brincas com o assunto... achas que vais emagrecer, com o soro e a dieta líquida, pensas mesmo que será o que vais aconselhar aos teus doentes que desejem fazer uma dietazita...
Sorriste quando o enfremeiro da triagem das prioridades disse que tinha prazer em te conhecer, porque só te conhecia de nome há muito tempo...
Agora já conheces a Sónia Araújo (não me lembro de ti a ver televisão de manhã), já sabes quem é a miúda que faz de Floribela... já sabes tantas outras coisas que o trabalho não te deixava aprender.
Já sabes quão difícil é estar no hospital, quão difícil é o trabalho de enfermeiros e auxiliares (esse eu sei que tu sabias e que valorizas), que querem que o teu vizinho de enfermaria coma e ele berra e diz asneiras, e que incansavelmente listam uma série de coisas para substituir a refeição que ele teima em não aceitar, já sabes quão agradável é receber visitas...
... porque vi que àquela hora, três em ponto, tu não tiravas os olhos da porta, porque era a única coisa de que estavas à espera!
Wednesday, July 04, 2007
Colégio
Lembro-me quando entrei no colégio pela primeira vez. Era tudo tão espantosamente grande e limpo e brilhante... era tanta gente nova igual a mim, vestidas de bata aos quadradinhos pretos e brancos, camisa branca e cinto vermelho para contrastar... umas choravam, que tinham saudades da família... eu às vezes também, mas não era por nada em especial, mas por tudo, por estar longe, por não poder falar, por ter saudades também, por ter a cabeça cheia de futuro e de expectativas.
O meu mundo passou a ser outro, os meus amigos cá fora foram crescendo como eu, mas à distância... cada um à sua maneira e bem diferente, as estações seguiam-se umas às outras, a chuva vinha, vinha o sol, o calor, mas o tempo, esse... era interminavelmente difícil de passar. Cheguei a ficar lá períodos inteirinhos, cheguei a sonhar que ouvia alguém chamar-me e acordava, mas rapidamente me apercebia que não passava de um sonho. Vi colegas a desistir, mas eu sempre achei que não o faria.
Trinta e tal anos depois, do alto da minha meia idade, vejo hoje, mais do que nunca, que ter lá estado me deu uma enorme capacidade de me adaptar a tudo na vida.
Friday, June 22, 2007
Sunday, June 17, 2007
Sunday, June 10, 2007
Letras e com laço!
tenho a memória ainda cheia do peso que as letras me faziam, quando o pedido de palavras e textos e criação era transtorno infatigável para a minha mente objectiva e geométrica. num ápice, porém, um dia o chão tornou-se outro. sem o ter programado em mim, chegou como que por surpresa, anunciando-se num apetite ávido que me acometeu. é a força dos outros em nós, é a forma de deixarmos que a pele dos outros passe, aos poucos, a ser também um pouco da nossa própria pele. se em perspectiva de extremidade, é o amor dos homens, pelos homens.
veio o "Pelo Sonho É Que Vamos", o grupo, a amizade, a poesia. o viver pelas palavras. o sentir para escrever, naquele refúgio onde fomos tudo, em todos. lembro-me sempre da escrita de Maria Rosa Colaço, do exemplo mais bonito do que a prosa poética sabe ser. e deste livro aqui, que a Lídia tinha comprado tempos antes, numa zona de alfarrabistas num dia qualquer da Feira dos Golfinhos.
e de o folhearmos com as mãos mais doces, por estar gasto e ser das crianças. e de nos determos na dor das imagens e penetrarmos, por elas, no fosso do que entristece, mas também alegra. e de enchermos a escola das mesmas imagens, por ocasião das nossas reuniões de poesia. e de almejarmos o livro todo para o aconchegarmos a cada um, com as mesmas mãos, ainda mais doces, mas não lhe perspectivarmos um rasto sequer em nenhum canto de lado algum. e de a Dra João, ainda ligada familiarmente à autora, mo tentar desencantar, tendo que o substituir, no entanto, por fotocópias bem feitas do que ela mantinha guardado em casa. e de me avisar da fragilidade da Maria Rosa, numa altura em que a fui conhecer no inóspito sítio onde, por acaso, eu ainda estudava. e de me atormentar pela genialidade definhada, mas ainda assim, se ter tornado dos episódios mais marcantes de mim. (não houve tempo para o chá em sua casa, mas guardo o convite em presente "Com Laço", Maria Rosa...)
este ano, por altura do meu aniversário, a Lídia surpreendeu-me com um exemplar do "Estas Crianças Aqui". desmoronei o desejo que tinha adormecido por impossibilidade de o ver vivo e deixei-me ser feliz-de-criança, como cada uma das que traz dentro. "- não sei bem se ele sabia o valor do que me estava a vender..." - dizias-me... por certo que não. sabemo-lo nós, não digas a ninguém!
na mesma cidade, na mesma feira, mais de duas mãos cheias de anos depois. a Vida não se esquece.
Thursday, June 07, 2007
Ossos do ofício
Corrigir testes é, para mim, tarefa penosa. Fico a dizer mal da profissão, cansada pelas vezes infindáveis em que corrijo as mesmas coisas. Já escrevi mil vezes que é erro colocar uma vírgula entre o sujeito e o predicado, mas ninguém me liga. Outras mil que só os nomes próprios têm letra maiúscula. Continuam a não ligar. Mas, persistente como acho que se deve ser nestas coisas da educação, incansavelmente quanto posso, lá vou escrevendo o mesmo. Muito antes de começar a corrigir os testes, já eu sei o que vou encontrar e isso é que mata aquele factor surpresa que ainda vamos encontrando, no nosso dia-a-dia, no contacto diário com a gente nova.
Corrigir testes é difícil, de grande responsabilidade, cansativo e desgastante. Normalmente, fazêmo-lo quando os outros já relaxam ou dormem, o que ainda sentimos mais como injusto.
Quando tenho que o fazer, lembro-me de mil e uma coisas que tenho vindo a adiar, arrumar roupa, gavetas, papelada, a quantidade grande de folhas A4 que povoa o meu escritório. Lembro-me de gente a quem não tenho telefonado, lembro-me de temas sobre os quais ainda não escrevi, e até de poetas que não leio há muito tempo. Também acho todos os livros interessantes para começar a ler e qualquer conversa que seja do mais entusiasmante que se possa imaginar.
Mas cá vou continuando a cumprir aquilo a que me propus, tenho é pena quando ouço gente a dizer que "ser professor é ter uma vida santa".
Corrigir testes é difícil, de grande responsabilidade, cansativo e desgastante. Normalmente, fazêmo-lo quando os outros já relaxam ou dormem, o que ainda sentimos mais como injusto.
Quando tenho que o fazer, lembro-me de mil e uma coisas que tenho vindo a adiar, arrumar roupa, gavetas, papelada, a quantidade grande de folhas A4 que povoa o meu escritório. Lembro-me de gente a quem não tenho telefonado, lembro-me de temas sobre os quais ainda não escrevi, e até de poetas que não leio há muito tempo. Também acho todos os livros interessantes para começar a ler e qualquer conversa que seja do mais entusiasmante que se possa imaginar.
Mas cá vou continuando a cumprir aquilo a que me propus, tenho é pena quando ouço gente a dizer que "ser professor é ter uma vida santa".
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